…”Princípios de design são derivados de uma mistura de conhecimento baseado em teoria, experiência e senso comum […] conjunto de items que devem ser assegurados” (PREECE, 2005). Hoje vou falar do princípio de Mapeamento, que “refere-se a relação entre controles e seus efeitos no artefato”(PREECE, 2005). Um bom exemplo simples para entender este conceito são as teclas de teclado do computador, como na figura abaixo:
Por que ele tem um “bom mapeamento”? Porque quando eu quero mover um objeto para cima, eu “intuitivamente” pressiono o botão correto (o que está a cima das outras teclas). Ou seja, os controles aproveitam o modo como entendemos o mundo (para cima=botão em cima, para baixo=botão em baixo, para esquerda=botão à esquerda…).
Fica ainda mais claro entender este conceito se pensamos o contrário, imagine se os botões do teclado para estas mesmas funções, tivessem a seguinte disposição:
Obvio? Nem sempre.
Não é o que acontece com a maioria dos objetos do dia-a-dia que carecem desse princípio básico que respeite nossos processos cognitivos. Um exemplo clássico desse problema é o que acontece com o fogão e seu dilema cotidiano de “qual comando acende qual boca”. Uma atividade banal e corriqueira para a maioria das pessoas (cozinheiras, donas de casa, pessoas que lidam com cozinha frequentemente), mas não tão trivial assim para o restante das pessoas. E porque desse dilema? Simplesmente porque a disposição dos comandos no projeto do fogão, não possui um mapeamento tão óbvio em relação ao seus efeitos no artefato. Ou seja, a relação entre o comando e qual boca será acessa não está clara. A distância entre o comando e a boca a que ele corresponde é um dos problemas, o outro é que não sabemos de imediato a qual boca cada comando se relaciona (se com as bocas superiores, ou as bocas inferiores).
A solução mais óbvia é a de um desenho onde cada comando está posicionado lado a lado da sua boca correspondente. Mas sabemos que por questões de segurança e outras limitações qualquer, nunca vimos um fogão que tenha tal desenho (ou vocês conhecem algo parecido?). Então como os designers tem solucionado este problema de mapeamento? Em um levantamento simples que eu fiz outro dia em uma loja, encontrei os seguintes fogões:
Além desse problema (mapeamento) existe ainda um outro: Como saber qual boca está acionada, por exemplo, em caso, de estar ligado mas não vermos fogo (quando somente o gas sai, mas não tem fogo)? Não preciso nem dizer a importância disso e o risco que existe caso este problema não seja levado em consideração no projeto destes dispositivos. Alguns destes fogões resolve bem esta questão e outros parece dificultar ainda mais.
Enfim, qual destes parece resolver melhor estes problemas? E qual destes é o pior neste aspecto?









Legal o post, Karine.
Algumas indústrias ainda não conseguiram dar um passo à frente, e a de produtores de “linha branca” é um exemplo. Há quantos anos existem fogões? Ninguém pensou em realmente mudar o tipo de interação?
Claro, teremos que entrar no argumento que o usuário já tem informações e experiências sufucientes para “operar a máquina”. Mas várias vezes que tenho que acender um fogão desconhecido me vejo com problemas.
De todos os mostrados na foto, o que mais me chamou atenção foi o 7, onde consigo entender melhor as informações gráficas. Mas ainda muito longe de ser ótimo em termos de segurança. Um led de funcionamento não encareceria tanto assim o produto, e seria mais útil que um queimador central no caso de fogões domésticos para núcleos familiares menores (solteiros ou jovens casais que passam pouco tempo em casa e usam pouco o fogão ou que têm pouca experiência em cozinhar).
O pior certamente o 3. Eu teria que rodar pros dois lados pra saber pra onde teria que rodar.
Um outro ponto: por que todos começam com o fogo alto? E se fosse um slide (como de mesas de som), que começam com zero? Até mesmo os tweks de aparelhos comuns de som são mais intuitivos: começa em zero e vai aumentando. Muitas, muitas, muitas possibilidades.
Um abraço e parabéns pelo Blog! Já está no meu bookmark.
Leo Dornelas.
Oi Leonardo,
Bem lembrado a questão do porque começar com o fogo alto. Não tinha parado para pensar 🙂 Não é por que é mais fácil “do fogo pegar”? Pelo menos se formos pensar da forma como o fogão mediano funciona hoje… ou seja é a lógica do “funcionamento” e não do uso. E isso também me faz lembrar das convenções… aprendemos a tantos anos a fazer assim que é quase “inquestionável” mas certamente sempre existem possibilidades melhores que as atuais.
Obrigada pela visita, abs!
Otimo post! Sempre observei este detalhe dos acendedores de fogao tambem.
Tem uns fogoes mais antigos que eh dificil saber para onde o botao esta apontando.
E aqui na Inglaterra os botoes giram para o outro lado! Ou seja, o ‘forte’ fica a direita.
Outra convenção que aprendemos e não questionamos… interessante disso é que mesmo com as indicações visuais (indicando para onde devemos rodar) simplesmente não olhamos isso, são convenções, vamos lá, ligamos e pronto. Só percebemos isso quando a convençao muda, como no seu caso com os fogões da inglaterra….