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Seres humanos, a tecnologia e o futuro I

Estou lendo o livro “Cognição, ciência e vida cotidiana” de Humberto Maturana e compartilho aqui as principais idéias captadas na leitura.

Para Maturana o bem-estar da humanidade está vinculado à responsabilidade consciente de nossas ações sobre o mundo. Além disso ele questiona três pressupostos muito comuns dos nossos dias atuais, a saber: 1) o fato de muitas vezes falarmos de progresso, ciência e tecnologia como valores a serem venerados; 2) a provável substituição dos seres humanos pelas máquinas como se isso fosse um resultado natural “deste tão venerado progresso e expansão da inteligência; e por fim 3) o fato de pensarmos que a tecnologia “está se tornando a mola mestra no fluir da mudança cósmica no que diz respeito a nós”, ou seja, que a natureza da evolução está mudando.

A posição de Maturana, fica clara, nesta passagem:

“Eu não penso assim. Não olho para o progresso, para a ciência ou para a tecnologia como se fossem valores em si mesmos, nem penso que a natureza ou caráter da evolução biológica ou cósmica estejam mudando. Penso que a questão que nós seres humanos devemos enfrentar é sobre o que queremos que nos aconteça.[...] Penso que a questão que precisamos enfrentar nesse momento de nossa história é sobre nossos desejos e sobre se queremos ou não sermos responsáveis por nossos desejos.”

Para construir seus argumentos e explicar melhor esta questão, o autor apresenta conceitos fundamentais sobre os sistemas vivos, os seres humanos, a tecnologia, a realidade, os robôs, o design e a arte.

Como o texto é grande, dividi as idéias principais em 2 posts:

Seres humanos, a tecnologia e o futuro II

Seres humanos, a tecnologia e o futuro III

…………….

Quem é Humberto Maturana?

Maturana

Humberto Romesín Maturana é Ph.D. em Biologia (Harvard, 1958). Nasceu no Chile, estudou Medicina (Universidade do Chile) e depois Biologia na Inglaterra e Estados Unidos. Como biólogo, seu interesse se orienta para a compreensão do ser vivo e do funcionamento do sistema nervoso, e também para a extensão dessa compreensão ao âmbito social humano. É professor do Departamento de Biologia da Faculdade de Ciências da Universidade do Chile.

Entrevistas com Maturana:

http://www.humanitates.ucb.br/2/entrevista.htm

http://www.tierramerica.net/2000/1119/ppreguntas.html

Seres humanos, a tecnologia e o futuro III

Organismos e Robôs

O que tem em comum? Ambos são determinados estruturalmente e interelacionan-se com o meio. E o que tem de diferente? A sua história de origem. O robô surge de um projeto, um design. “Assim, o robô, o meio ou circuntâncias nas quais ele funciona e a congruência dinâmica entre os dois são consequências de um projeto intencional naquilo, que, pode-se dizer, foi um processo sem história (aistórico).

Já os sistemas vivos “são produtos de uma história de linhagens de sistemas vivos que ainda está em curso, através da conservação reprodutiva do vivo bem como das variações no modo do viver”. É FRUTO  de um processo HISTORICO: a evolução biológica. Nessa história os seres vivos e o meio mudaram congruentemente.

Tecnologia e realidade

“A tecnologia pode ser vivida como um instrumento para ação intencional efetiva, ou como um valor que justifica ou orienta o modo de viver no qual tudo é subordinado ao prazer vivido ao se lidar com ela”.

Quando vivida como valor é vivida como um vício e justificada muitas vezes com argumentos racionais por aqueles que assim desejam. Se vivida como instrumento para ação efetiva, a tecnologia leva à expansão progressiva de nossas habilidades operacionais em todos os níveis.

Muito se vem dizendo sobre uma tendência para a tecnomorfização da existência humana… “e muito se argumenta que nós humanos deveríamos nos adaptar a um tempo, no qual a evolução está entrando numa fase tecnologica-científica, vendo a evolução como um processo que nos arrasta, independente de estarmos conscientes dele.” A esse respeito, Maturana questiona:

“Mas onde nós, indivíduos humanos responsáveis, estamos em tudo isso, que podemos ser tão facilmente manipulados por outros humanos através de seus argumentos de geração de progresso no desenvolvimento do poder da máquina, enquanto eles satisfazem suas próprias ambições, desejos ou fantasias?”
“Não somos geneticamente predeterminados nem algo do gênero para nos tornarmos o tipo de seres humanos que nos tornamos em nosso viver [...] nós nos tornamos o tipo de seres humanos que nos tornamos de acordo com o modo pelo qual vivemos [conservada em nossa cultura].

O papel das emoções no curso da nossa história:

“Assim, uma vez que nossas emoções especificam o domínio relacional no qual instamos a cada instante, é nosso emocionar – e não nossa razão – que define o curso do nosso viver individual, bem como o curso de nossa história cultural”
“É por isso que a pergunta “O que queremos” é pergunta central, e não a pergunta sobre a tecnologia ou a realidade. A evolução dos seres humanos está seguindo um curso cada vez mais definido por aquilo que escolhemos fazer face aos prazeres e medos (emoções) que vivemos em nosso gostar e não gostar daquilo que produzimos na ciência e tecnologia.”

A Realidade

“A realidade é uma proposição que usamos como nocão explicativa para explicar nossas experiências [...] a usamos de modo diferentes de acordo com nossas emoções. É por isso que há diferentes noções de realidades em diferentes culturas ou diferentes momentos da história.”
“É possível eventualmente se fazer robôs que claramente se comportem como nós, mas sua história será presa à sua corporalidade, e à medida que eles existirem como entes compostos em domínios de componentes diferentes dos nossos, os domínios de realidades básicas que eles gerarão serão diferenets dos nossos.”

Arte e design e responsabilidade

Sobre a importância e responsabilidade dos designers e artistas:

“Os artistas são poetas da vida cotidiana, que mais do que outros seres humanos agem com projetos intencionais e, portanto, o que fazem para o curso da história humana não é trivial.”
“O que me interessa é o objetivo, o emocionar que o artista quer evocar”. “O que conservamos, o que desejamos conservar em nosso viver, é o que determina o que podemos e o que não podemos mudar em nossas vidas.”

Reflexões e conclusões

Sem dúvida, muito do que fazemos irá mudar se adotarmos as opções tencológicas à nossa disposição, mas nossas ações não mudarão a menos que nosso emocionar mude.
Não é a tecnologia que guia a vida moderna, mas as emoções, ou seja, os desejos de poder, riqueza ou fama, em nome dos quais a usamos ou inventamos.
Nossos cerebros não estão sendo mudados pela tecnologia, e o que de fato está nos acontecendo através dela é que nós mudamos o que fazemos enquanto conservamos a cutura `qual pertencemos. A menos que nosso emocionar mude e passemos por uma mudança cultural.

Referência:

MATURANA, Humberto. Cognição, Ciência e Vida Cotidiana. Belo Horizonte:ed UFMG, 2000. 203 p

Outros posts relacionados:

Seres humanos, a tecnologia e o futuro II

Os sistemas vivos

Determinismo estrutural

Os sistemas vivos possuem uma característica fundamental, que é o determinismo estrutural: “Os sistemas vivos são sistemas determinados estrutralmente, ou seja, são sistemas tais que tudo o que lhes acontece a qualquer momento depende de sua estrutura – que é como eles são feitos a cada instante”. Isto significa dizer que “qualquer agente que incida sobre eles apenas desencadeia neles mudanças estruturais determinadas neles próprios”. Diferente do que comumente pensamos, um agente externo não determina o que acontece no sistema que ele incide, ele apenas desencadeia.

Exemplo: “…gostaríamos que o outro ouvisse o que dizemos, mas isso não acontece, a menos que venhamos interagindo [...] um com o outro por um período sufuciente longo para nos tornarmos estruturalmente congruentes [...] Quando isso acontece dissemos que compreendemos um ao outro”

Congruência com o meio

Um sistema vivo sempre muda congruentemente com o meio, pois está em constante interação e regulação com seu meio. Portanto, um sistema, vivo sempre aparecerá para um observador, tanto o sistema vivo, quanto o meio mudando juntos.

Domínios da existência

Os sistemas vivos existem em dois domínios operacionais: 1) sua composição (anatomia e fisiologia) e 2) seu meio (domínio ou meio no qual eles surgem e existem). Embora esses dois domínios não se intersectam e não haja nenhuma relação causal entre eles, o que ocorre são relações gerativas recípricas. Ocorre portanto uma interação: mudanças na anatomia e fisiologia resultam em mudanças na maneira em que ele interagem com o meio, e por outro lado, as interações do sistema vivo com o meio desencadeiam nele mudanças na sua configuração.

Características do ser humano

O linguajar

A linguagem é peculiar aos sistemas vivos humanos. A linguagem é o “espaço operacional no qual realizamos nosso viver enquanto humanos”. “Tudo o que nós seres humanos fazemos, nós fazemos na linguagem [...] o linguajar é nosso modo de existir como seres humanos”.

Conversação

“tudo o que é humano se constitui pela conversa, o fluxo de coordenações de coordenações de fazeres e emoções. Quando alguém, por exemplo, aprende uma profissão, aprende em uma rede de conversações.”

A conversasão é uma rede de entrelaçamento consensual de emoções e comportamentos.

Cultura

“É uma rede fechada de conversações consensuais que é tanto aprendida como conservada pelas crianças que nela vivem [...] Além disso, no curso, da nossa história vivemos na conservação de cada mundo que vivemos como se ele fosse a própria base de nossa existência, e assim fazemos numa dinâmica de conservação, cujo resultado é que todos nós começamos a mudar em torno da maneira de viver”. Por isto não percemos esta mudança.

Como nos tornamos um tipo ou outro de ser de acordo com a maneira como vivemos, então a questão importante é: Qual tipo de ser queremos ser?

Identidade e cultura

Identidade de um sistema é o que define um sistema como um sistema de um tipo particular. A identidade não é intrínseca a ele e é conservada nas interações do sistema com o seu meio, na cultura, de maneira dinâmica, ao longo da evolução biológica do sistema.

“Portanto podemos ser [um tipo ou outro de seres humanos], de acordo com a cultura que vivemos e conservamos em nosso viver, mas ao mesmo tempo podemos deixar de ser seres humanos de um tipo ou de outro ao mudarmos de cultura, dependendo da configuração de emoções que dá à cultura que vivemos ser caráter particular.”

Emoções e racionalidades

As emoções é que dão à cultura que vivemos seu caráter particular. São as emoções que guiam a todo nosso agir. É o emocionar que especifica o nosso agir, nosso tipo humano, nossa identidade humana e não nossa conduta racional ou nosso uso de um tipo ou outro de tecnologia.

“…sabemos que todo domínio racional se funda em premissas básicas aceitas a priori, isto é, em bases emocionais, e que são nossas emoções que determinam o domínio racional em que operamos como seres racionais em cada instante [...] Ou seja, usamos diferentes tecnologias de acordo com nossas preferências ou desejos. Portanto são nossas emoções que guiam nosso viver tecnológico, não a tecnologia.

Esta relação pode ser vista na história dos ancestrais:

“… poderemos ver que diferentes procedimentos tecnológicos foram usados por nossos ancestrais ao longo de milhares de anos, e que as mudanças tecnolóficas que fizeram estavam relacionadas a mudanças em seus desejos, em seu gosto ou suas preferências estéticas, independentemente de como sua forma de viver tenha mudado a partir daí.”

Se é a emoção que guia nosso agir, por que então, raramente estamos conscientes desse fato e frequentemente afirmamos o contrário: estar sendo guiados pela razão?

“… acontecem duas coisas com nosso viver racional. Uma é que usamos nossa razão para sustentar ou para esconder nossas emoções, e o fazemos frequentemente sem estarmos conscientes do que fazemos. A outra é que normalmente não estamos totalmente conscientes das emoções sob as quais escolhemos nossos diferentes argumentos racionais.”
A consequência disso:
  1. Nos tornamos prisioneiros da crença errônea de que os conflitos humanos são racionais
  2. Crença de que as emoções destroem a racionalidade – que é fonte de desordem
  3. Não comprendemos nossa existência cultural
“Ao não comprendermos os fundamentos emocionais de nosso agir, tornamo-nos prisioneiros tanto da crença de que os conflitos e problemas humanos são racionais – e portanto devem ser  resolvidos através da razão -, quanto da crença de que as emoções destroem a racionalidade e são uma fonte de arbitrariedade e desordem na vida humana. E a longo prazo não compreendemos nossa existência cultural”

Referência:

MATURANA, Humberto. Cognição, Ciência e Vida Cotidiana. Belo Horizonte:ed UFMG, 2000. 203 p

Continue lendo:

A internet tranforma seu cérebro

Lobos cerebrais

Lobos cerebrais

Conclusões interessantes as do estudo conduzido pelo neurocientista americano Gary small, diretor do Centro de Pesquisa em Memória e Envelhecimento da Universidade da Califórnia (UCLA): A internet não muda somente a forma como interagimos, produzimos, criamos e nos comunicamos. Ela altera o funcionamento do cérebro.

If you think our incessant use of the Internet, Blackberrys, iPods, text-messaging and video games has changed our lives and our children’s lives, here’s some breaking news: Technology has not only altered our lives, it’s altered our brains.

Um dos motivos, afima o pesquisador, é a enxurrada de estímulo que é frequente e muito maior quando estamos diante na internet do que quando sentamos para ler um livro, por exemplo. “Nossos circuitos cerebrais são formados por conexões entre os neurônios, chamadas de sinapse. A todo momento, esses circuitos respondem às variações do ambiente.”

De maneira geral, o uso da internet tem resultados positivos para o funcionamento do cérebro. No entanto, como era de se esperar, as consequências podem ser tanto positivas quanto muito negativas, tudo depende da forma como nos expomos e do nível de exposição diante das tecnologias digitais.

Consequências positivas

  • Reforço das habilidades tecnológicas
  • Aumento significativo da atividade cerebral, o que significa que isso nos permite fazer mais como o nosso cerebro, gastando menos energia.

Consequências negativas

  • Redução da habilidade para o contato social.

Tecnicamente há um reforço e uma estimulação maior nas áreas do cerebro associada a habilidades tecnológicas (lobos frontal, parietal e temporal), mas as áreas relacionadas a habilidades sociais são negligenciadas como a capacidade de captar detalhes durante uma conversa, reconhecimento de expressão, postura corporal, gestos e nuances no olhar.

  • Diminuição do nível de atenção e hiperatividade.

Ficamos sem tempo para refletir, contemplar ou tomar decisões ponderadas

  • Vício tecnológico; em alerta permanente alimentado pelo vício de estar “conectado”

E quem são mais afetados pela exposição excessiva?

Jovens certamente, seu cerebro ainda não desenvolveu plenamente seu lobo frontal, area que controla pensamentos mais complexo e capacidade de planejamento.

Diferença cognitivas entre gerações

Os nativos digitais (jovens) são melhores ao tomar decisão rápida e ao agrupar grande volume de estímulos. Os mais velhos foram treinados de maneira diferente, fazem as tarefas passo a passo e sempre uma por vez.

Como será o cerebro no fututo, segundo o pesquisador:

  • Haverá a capacidade de estimular e monitorar a atividade de células cerebrais individuais (por meio de proteínas fotosensíveis, controladas por lazer)
  • Possibilidade de corrigir nosso circuito neural por meio de controles remotos, o que significa podermos conectar nossa mente aos computadores, fazendo com que “máquinas entendam nossos comandos”. – Temas que domina a ficção científica por muitos anos.

Produtividade, nós usuários e as ferramentas

Foto da minha área de trabalho

Foto da minha área de trabalho

Pensando sobre produtividade no trabalho, cheguei a seguinte questão: Será que nos tornamos, mesmo, de fato, mais produtivos enquanto nossos browsers, softwares, websites, celulares, redes sociais, etc nos oferem múltiplas opções, múltiplas funcionalidades, interfaces múltifacetadas, flexibilidade de navagação, vários caminhos para se chegar a um mesmo lugar, suportando as nossas “supostas” multi-pli-cadas-tarefas?

Ou, será, que estaríamos nos tornando ainda mais confusos, ainda mais ansiosos, ainda mais viciados e acabando o fim do dia com a sensação de que estamos ainda mais esgotados e da familiar impressão de “nossa não terminei nem metade do que tinha para fazer”?

Algo tem me levado a questionar a primeira opção e observar mais atentamente a segunda.

Como eu sei que esta é um questão um pouco mais profunda e complicada de responder, deixo aqui apenas algumas reflexões que, generalizadas, dizem respeito somente ao meu comportamento que venho observando.

Isso, de produtividade e ferramentas, não é uma questão nova para mim, há algum tempo temos tentado métodos de organização pessoal, como o GTD, e outros e sempre que acontece, de termos, eventualmente, algum problema com produtividade ou falta de organização, temos uma certa tendência de culpar as ferramentas (talvez por sermos designers e programadores e lidar com o projeto de ferramentas tecnológicas no nosso dia-a-dia, esperamos delas, eficiência, facilidade, etc) e por outro lado, não questionamos quanto ao nosso comportamento, aí me vem a dúvida: O quanto as ferramentas são culpadas por não apoiar nossas atividades? E quanto, de outro lado, nós é que não temos nos esforçados para mudarmos nosso modelo mental de como as coisas funcionam e adequarmos também o nosso comportamente de forma a realizarmos as tarefas de uma maneira melhor?

É facíl perceber após parar para pensar, que um equilíbrio é necessário entre estas duas forças, a força da ferramenta sobre nosso comportamento, contra a força do nosso comportamento sobre as ferramentas.

Voltando para alguns exemplos práticos sobre produtividade e as ferramentas do dia-a-dia. Pare e pense, quantas vezes você já se viu no meio de uma aba, no seu navegador, que você não se lembrava do que exatamente estava fazendo? Ou quantas vezes abriu abas que não lembrava exatamente qual a próxima ação, porque, diabos, elas estavam abertas?

Ou ainda, parou no meio do fluxo de uma atividade para conferir sua caixa de e-mail, viu que tinha um e-mail interessante/importante e parou para responder, ou seja, começou numa tarefa e terminou em outras, mais confuso que nunca.

Quantas vezes lendo um site, ficou confuso sobre qual link clicar, já que existiam tantas opções que pareciam levar para o mesmo lugar? Será que eu digito nessa caixa de busca? Mas parece ter aqui do lado uma tag parecida com o que eu procuro, será que clico aqui? Há ainda este menu que pode me levar onde quero… e esse “saiba mais” humm…. Ou mesmo, mais simples, ainda, já leu um artigo na web, que continha tantos hiperlinks no texto que para ler todas as referências e diversas páginas referenciadas gastaria muito mais tempo que para ler todo o texto?

Bom, acho que já deu para perceber onde quero chegar. Acredito que seja papel nosso, os que trabalham com tecnologia, de alguma forma, encontrar meios de equilibrar e conciliar estas questões: O que significa, mesmo, suportar multitarefa? Será que significa oferecer o máximo de opções para o usuário? Será que dessa forma estamos mesmo contribuindo para a produtividade, engajamento, satisfação ou estamos contribuindo para o cansaço, o stress, fadiga e esta insistente ansiedade dos nossos dias, que não parece acabar nunca?

E lembrar do trabalho equilibrado entre as forças; que não apenas as ferramentas moldam a forma como nós enxergamos o mundo, nós também podemos moldar nossos comportamentos para melhor utilizar nossas ferramentas.

Se ficar curioso para ler mais sobre o “lado negro” da tecnologia da informação e suas implicações para os usuários, leia também este post: http://ow.ly/15G5xE que deu origem a este meu.

E aqui também tem outros pensamentos sobre o assunto, mais diretamente relacionado a abas e navagação hipertextual, do ponto de vista do usuário: http://www.faberludens.com.br/pt-br/node/1625

A Intuição e o design

intuicao

Intuition is the ability to understand or know something immediately, without conscious reasoning. (Oxford English Dictionary)

Estudos recentes em psicologia tem nos ajudado a entender um importante processo do cerebro, a intuição, também chamado de conhecimento tácito. Por que falar de intuição, aqui no blog? Um designer precisa saber intuir sobre uma solução, além de validá-las. Ele precisa intuir sobre qual a melhor solução para um determinado problema.

Nem em todo o momento e nem todas as idéias são testadas no processo de design, mesmo na abordagem centrada no usuário. E a atividade principal continua sendo a mesma: criar soluções satisfatórias. E neste processo, o designer conta com sua intuição a maior parte do tempo. E para desmistificar um pouco o termo (que normalmente carrega um sentido mistico e sobre-humano), vejamos do que se trata a intuição, do ponto de vista científico:

… the human brain has dual systems for receiving and analyzing sensory impressions, one conscious and one unconscious. In the unconscious, that is the non-declarative system, our sensory impressions are compared with previously stored images. We all have an inner picture book of stored experiences based on what has happened to us previously in life. We also remember the outcome -¬ did it end well or badly? With the aid of these stored sensory impressions, we unconsciously assess the situation at hand and can predict the outcome… (ScienceDaily, 2008)

Ou seja, tem a ver com experiência, é o processo que combina dois componetes: memória + sistema sensorial. Em outras palavras conseguimos “intuir melhor” quando usamos nossa memória para predizer uma certa situação e tomar decisões acertadas em cima disso. E memória tem a ver com percepção: armazenamos melhor informações que foram captadas utlizando uma gama maior dos sentidos (olfato, audição, tato, visão, paladar)

Intui melhor, portanto, quem exercita o sistema sensorial, observando o mundo ao redor, quem aprende com as próprias experiências… O que me leva a crer que ao adotar uma abordagem centrada em pessoas no design, – Design thinking – , estamos elevando a nossa capacidade de intuir. Observamos pessoas para entender suas necessidades, geramos idéias e aprendemos com os erros e problemas. Neste processo adquirimos conhecimento tácito, exercitamos nossa capacidade de observar e perceber o mundo (sistema sensorial), potencializando por sua vez a memória e nossa capacidade de predizer como os usuários irão utilizar um produto, intuindo cada vez melhor…

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Aprenda mais sobre intuição:

A Dualidade da mente: a intuição e o intelecto

Intuition can be explained

Usabilidade de automóveis: Aspectos Cognitivos

Imagina só se de repente, o comando dos carros fossem substituídos por comandos de teclados, como nos jogos de computador: para virar para direita tecle setinha para direita + shift, para acelerar mantenha apertado a tecla “setinha para baixo”, passar marcha: +

Caos! Acidentes!

Porque não daria certo? Continue lendo