Arquivo da categoria: Marketing

Bike pra que te quero?! A experiência de uma novata.

Influenciada por novos estilos de vida e uma vontade sincera de trocar o carro pela bike, pelo menos, nos finais de semana, lá fui eu comprar uma bike. Gente, sinceramente! Mas que dificuldade! Não sabia o desafio que me esperava, mas a motivação era maior (felizmente para as marcas de bike) pois a chance de eu ter desistido era grande.

Contei aqui para vocês, alguns dos desafios dessa experiência de usuária: Continue lendo

Por que as idéias falham? – Caso Google Wave

Interessante, o que para muitos poderia parecer um fracasso, para o Google é “filosofia”.

Sobre o fracasso do Wave, Eric Schmidt, diz:

“Our policy is we try things,” “We celebrate our failures. This is a company where it is absolutely OK to try something that is very hard, have it not be successful, take the learning and apply it to something new.”

Mais interessante ainda é a abordagem do “não exagere na promoção do produto, aprenda com a aceitação do mercado”.

“Let the market determine which products are worthy of further investment and then re-invest in the ones that catch on [...] We have a pretty strong view on this,”ele diz. “As a culture we don’t over-promote products…we tend to sort of release them and then see what happens.[...] A new product gets announced and gets a certain amount of traction. At some point, growth falls off the first wave of people finishes trying things out. Then, it begins to grow again. The first derivative of that second growth is a high and accurate predictor of what will happen.”

Filosofias a parte, para mim o Wave falhou por uma questão muito simples: faltou essência. (irônico pensar em quanto esforço é gasto para resolver problemas complexos e quanto esforço é economizado para se pensar no simples).

Google Wave não tinha essência. O que isso significa? Não era fácil de entender imediatamente o que era e para o que servia. Você entra em uma loja de ferramentas e vê algumas interessantes, mas você só compra ou usa aquelas que você entende para que serve ou, olhando para ela, consegue imaginar como usar. Você pode até tentar experimentar alguma ferramenta misteriosa, por um motivo qualquer (pelo visual que chama atenção, por curiosidade ou porque alguém disse que ela era boa e servia para alguma coisa), mas se depois de algum tempo você não acha uma utilidade para aquilo, ou continua sem entender como usar, você simplesmente esquece num canto ou joga fora (se já tiver comprado).

É isso, diferente de uma peça de arte, produto cultural ou de um produto de decoração, o Google Wave é ferramenta e como ferramenta deve servir a algo. A qual a necessidade esta ferramenta servia mesmo?

O problema é o mesmo de sempre: idéias de produtos que partem de uma tecnologia e não encontram a adesão (ou seja, não encontram pessoas que possuem aquela necessidade que a tecnologia resolve), então fracassam.

Todos temos uma explicação para o fracasso, qual a sua?

Leia mais sobre o fracasso do Wave:

http://news.cnet.com/8301-13860_3-20012724-56.html
http://readwriteweb.com.br/2010/08/05/a-onda-acabou-o-google-wave-morre-na-praia/

Observando o usuário – Etnografia aplicada

Etnografia aplicada
A etnografia consiste em um método derivado da antropologia e significa literalmente “descrever a cultura”. É praticada nas ciências sociais a fim de investigar a organização sociais  para compreender a organização do trabalho. Objetiva encontrar a ordem, padrões em uma atividade. Hoje, vê-se uma aplicação da etnografia no contexto do design, um exemplo é a empresa IDEO, que vem a algum tempo, explorando esta técnica para geração de idéias, insights sobre as necessidades dos usuários, tanto para design de produtos quanto de serviços visando sempre a inovação.
Características da etnografia
Acontecem em ambiente natural;
É aberto as mudanças e refinamento conforme a coleta de dados corre no tempo. É iterativo;
Combina métodos como observação e entrevistas abertas e mais livres;
Tem objetivo de ser mais exploratória que avaliativo; e
Tem um foco em descobrir o ponto de vista “nativo” do usuário/consumidor/indivíduo.
Vantagens da etnografia aplicada
Pode levar mais tempo e ser mais cara que outras técnicas de pesquisa qualitativa, no entanto, pode atingir um nível profundo e mais ricos de insights e conhecimento sobre usuários potenciais e suas necessidades.
Quando ela é recomendada
Fase inicial de desenvolvimento de produtos
É indicada quando o objetivo é explorar necessidades emergentes e ainda desconhecidas para gerar idéias de novos produtos.
Pode ser usada também para entender como os usuários de um perfil específico usam o produto no dia-a-dia para recomendações de possíveis melhorias e inovações.
Benefícios
Etnografia aplicada é uma excelente forma de descobrir a diferença que existe entre o que as pessoas dizem e o que elas realmente fazem no dia-a-dia, pois combina técnicas que visam explorar o que pessoas dizem, fazem e como usam.
Treinando a observação
Este exercício, a seguir, foi transcrito do livro “Design de Interação”. Fiz o exercício e sugiro a você, fazer também.
Pare de ler este post e observe ao seu redor. Onde quer que esteja, são muitas as chances de você poder ver e ouvir muitas outras coisas e pessoas. Comece a fazer uma lista do que você observa e, quando as coisas mudarem ou as pessoas se moverem, escreva o que aconteceu e como aconteceu. Por exemplo, se alguém falou, como parecia a sua voz? Irritada, calma, sussurrante, feliz? Passe alguns minutos observando tudo o que for possível.
Depois, pense sobre as mesmas observações, mas comece a interpretá-las: imagine que você tenha que dispor em categorias os principais itens ou pessoas que você consiga enxergar. Quão fácil é ir da descrição detalhada para uma mais abstrata?
Exercício:
Contexto observado: minha irmã esperando pelo namorado que irá buscá-la dentro de algumas horas e sua escolha aleatoria (ou não) de algumas atividades para passar o tempo.
… é tarde de sábado e ela está esperando o namorado passar para buscá-la.
Entra no orkut, clica na página do seu scrapbook, vê as mensagens, depois vê as mensagens escitas por amigos. Navega por fotos dos amigos, o que mais chamou atenção dela foram fotos de arraias de um conhecido. “A blusa dele está super combinando com os peixes” – Achou engraçado.
Volta na home e parece não saber onde clicar mais.. fica pensativa, parece querer clicar nas suas fotos, clica no seu album de fotos, abri as fotos do namorado. Entra no perfil do namorado, vê scraps deixados, entra no perfil de um amigo do namorado. Fecha repentinamente o browser. Parece ter concluído o que fora fazer no orkut. Fecha o computador. Sai cantando, vai ao banheiro. O computador não foi desligado totalmente, apenas a torre foi desligada. O monitor ainda mostra a mensagem “Verif Sinal”.
Pega uma revista de arquitetura para ler, acende a luz da sala, senta no sofá ao lado da irmã em frente à televisão (desligada). Ainda possui luz do dia mas é final de tarde, logo logo irá escurecer. Um passaro canta lá fora, barulho do avião.
Telefone toca: “Por quê? o que aconteceu” pergunta. – “Tão tá, tchau”. O namorado falou que vem um pouco mais tarde. Será que ela pensa agora, em o que fazer até ele chegar? Continua a ler um artigo sobre Bauhaus…
Após alguns minutos de leitura, volta ao orkut, vê fotos de outras amigas. Fecha orkut. Abre pasta de fotos, procura fotos de infância. “Que cara de joelho” – diz em relação a uma foto dela quando recém nacida. Sai da sala… volta com um misto quente nas mãos, liga a televisão, passa jogo do botafogo e vitória…
Uma análise posterior do relato me permite concluir que ela escolheu como estratégia para passar o tempo as atividades de ver fotos de amigos no orkut, ler revista, comer e ver tv…” A atividade no orkut parece repetitiva e de natureza extremamente exploratória, por exemplo ela começa entrando no seu scrapbook e vai clicando nos links de acordo com o que chama mais atenção, seja uma foto ou uma mensagem mais curiosa, parece não existir um fluxo previsível das ações
Conclusão
A etnografia é uma técnica interessante para desenvolvimento de produtos, especialmente de inovação, ainda é pouco utilizada no design de produtos, no Brasil, o que significa ser uma oportunidade para podemos aprender com o que é feito lá fora e também procurar formas de integrá-la ao nosso contexto.
O quanto podemos inferir sobre o perfil de uma pessoa apenas pela observação e descrição de seus hábitos e comportamentos? Note que não é difícil supor a faixa etária, estilo de vida e possíveis hábitos do indivíduo acima observado, a partir de um simples e curto relato de uma observação como a do exemplo.
Fica, então, uma reflexão. O quanto um designer/projetista/desenvolvedor pode aprender sobre o uso de um produto ou serviço apenas observando como as pessoas se comportam e interagem com os mesmos? Quantas idéias novas podem surgir a partir desta atividade? E você acha válido, já aplicou etnografia, de uma forma ou de outra, em seu projeto?
Aprenda mais sobre etnografia aplicada
Etnografia aplicada por uma consultoria em human-dentered-desgin (Netherlands)
http://www.p5consultants.com/applied-ethnography-53.html
An Applied Ethnographic Method for Redesigning User Interfaces
http://hcil.cs.umd.edu/trs/95-07/95-07.html
Ethnography in the field of design
http://findarticles.com/p/articles/mi_qa3800/is_200001/ai_n8895749/
Coletânea de vários artigos sobre o tema
http://deyalexander.com/resources/uxd/ethnography.html

Etnografia aplicada

Pessoas

Fonte: http://www.juliacurtiss.com/

A etnografia consiste em um método derivado da antropologia e significa literalmente “descrever a cultura”. É praticada nas ciências sociais a fim de investigar e compreender a organização social do trabalho (estrutura, regras e modos de organização). Objetiva encontrar a ordem, padrões em uma atividade. Hoje, vê-se uma aplicação da etnografia no contexto do design, um exemplo é a empresa IDEO (veja este artigo da Businessweek de 2006), que vem a algum tempo, explorando esta técnica para geração de idéias, insights sobre as necessidades dos usuários, tanto para design de produtos quanto de serviços visando sempre a inovação.

Características da etnografia

  • Acontecem em ambiente natural;
  • É aberto as mudanças e refinamento conforme a coleta de dados corre no tempo. É, portanto, iterativo;
  • Combina métodos como observação e entrevistas semi estruturadas;
  • Tem objetivo de ser mais exploratória que avaliativo; e
  • Tem um foco em descobrir o ponto de vista “nativo” do usuário/consumidor/indivíduo. Continue lendo

Impacto da internet no comportamento dos consumidores

Boa notícia para a internet, o que na verdade é apenas uma confirmação formal para muitos:

Estudos indicam que a internet tem 2 vezes mais impacto no comportamento dos usuários que a TV e 8 vezes mais que mídia impressa. O estudo mostra que os consumidores estão mais propensos a procurar e consequentemente confiar nas críticas e sugestões online que em Tv ou mídia impressa. Eles preferem ir nas mídias sociais procurar por avaliações e ranqueamentos feito por outros consumidores para obter informações sobre os produtos, mesmo que a compra seja feita na loja e não online. (Leia a pesquisa inteira aqui)

Me lembrei de um trabalho acadêmico que fizemos sobre estudo do Gênius (aquele brinquedo da década de 80) em que fizemos um cenário de como seria o processo de compra de um produto como o Gênius. Os cenários ilustram bem esta pesquisa. Fizemos cenários com 4 pessoas diferentes e já foi possível perceber padrões bem claros de comportamento e fatores que afetariam a compra. Confiram: Continue lendo