Isto da foto fica no Super Nosso (supermercado “requintado”) em BH. A idéia é boa: deposite, nesta caixinha bonitinha suas pilhas e seja uma pessoa melhor contribuindo para o bem estar ecológico de todos nós. Mas, então, por que, diabos, não funciona? Por que dentro desta caixinha tem tudo (papel, copinho de plástico, comida, lixo…), exceto pilha?
Muito difícil? Alguém arrisca? ; p
…
Sugestões de solução
Esta é a idéia sugerida pelo colega Humberto Massa:
Apesar da placa de aviso ser imensa, (hehehe) resolve boa parte dos problemas de “affordance” porque 1-é transparente, então é possível ver que contém pilhas e não lixo; 2-o campo de leitura está no nível do usuário o que pode facilitar o entendimento e leitura das instruções e 3-diminui a metáfora do lixo, o que pode ajudar o usuário a distinguir para que serve, antes de jogar algo dentro.
Mais idéias?
Agora só falta fazer um protótipo em papelão e colocar no Super Nosso para testarmos?


18 respostas Até agora ↓
@mcardoso // Julho 10, 2009 às 1:24 pm |
a “metáfora” é quase a mesma… talvez se o recipiente fosse transparente e as informações visuais mais explicitas, teríamos menos lixo.
não há nescessidade de uma lixeira de pilhas tão grande também.
Humberto Massa // Julho 10, 2009 às 1:43 pm |
Meus “insights” são semelhantes aos do Marcello, na minha opinião a caixa deveria ser:
1. transparente
2. menor (30×30x30 ou no máximo 40×40x40)
3. colocada na altura natural (110cm do chão, por exemplo)
4. com abertura frontal e não superior (obviamente a abertura não deveria ser a frente inteira para que as pilhas/baterias não caíssem no chão)
5. esvaziada todo dia (mas não totalmente, é bom deixar umas pilhas/baterias no fundo para reforçar para que serve a caixa… mesmo princípio do “tip jar”
6. utilizando mais espaço para o “texto explicativo”, e na altura dos olhos do cliente; ninguém lê um texto que está a 40cm do chão.
7. por último, no texto explicativo pode-se pedir não colocar lixo comum.
karinedrumond // Julho 10, 2009 às 2:09 pm |
@mcardoso e @humberto muito boas idéias de solução!…
Acho que o problema começa exatamente por aí “a metáfora” ou para usar o termo a lá D. Norman: o bom e velho princípio de affordance, ou seja a forma dá a dica visual de como devemos usar o objeto:
Mais ou menos, lemos esse objeto assim:
- tem buraco
- se parece com lixeira
- tenho um lixo e tem um buraco
- então jogo aqui.
E como complementou o Rodrigo, não lemos instruções, nossa mente é muito especializada e nos faz agir conforme premissas, “se eu já fiz algo similar dessa mesma forma, então devo executar essa tarefa, da mesma forma também” – é o princípio da consistência no design de interação – mantenha uma mesma sequencia de operação para tarefas similares -.
Só paramos para pensar de outra forma quando nossa ação deu errado: se algo dá errado, aí sim podemos parar e pensar “ué o que deu errado?” Imagine se tivesse um alarme que soasse um “peeennn” cada vez que jogassemos um material diferente de pilha nessa caixa? Aí sim paramos para procurar outras pistas (instruções, seria uma delas…). Ou se junto com o “peennn” viesse uma sonora mensagem “você deve jogar somente pilhas nesta caixa”. Obviamente não seria uma boa solução hehe…
Rodrigo // Julho 10, 2009 às 1:53 pm |
Concordo com o @mcardoso. Também poderia ser colocado um lixeiro comum do lado: não sei como é este supermercado, mas se as pessoas estão jogando lixo ali, talvez seja porque não tem outros lixeiros. Só investigando o caso para saber melhor.
Vejo que muitas pessoas não leem ou não se informam, seja no mundo offline e no on (para o “online”, veja este exemplo: http://blog.spoladore.com.br/2007/03/29/trabalhos-com-pomba-gira-trazem-seu-amor-de-volta/).
O raciocínio, no caso, parece ser: se tem formato de lixo (caixa com buraco?), então parece lixo. Se parece lixo, é lixo.
Um projeto melhor desenhado pode contornar o problema de lixo. O projeto deve pensar nos usuários, mas será que é tudo problema do designer e do design proposto? As pessoas também não deveriam parar um pouco, refletir, pensar “O que é que estou fazendo, jogando lixo aonde?”. Bem, está escrito: papa-pilhas, e não lixo (Não esqueci dos analfabetos. Mas este caso é para outra análise rs]).
Quem sabe eu mesmo também jogue lixo no lugar que deveria ser para depositar pilhas usadas, mas será queeu não deveria pensar mais nas coisas que faço no meu dia-a-dia? O design pode evitar que as pessoas joguem lixo no lugar errado, mas conseguem realmente mudar o comportamento de uma pessoa, de não ler ou não prestar atenção o que está fazendo?
karinedrumond // Julho 10, 2009 às 2:17 pm |
Realmente Rodrigo, você observou bem. Neste supermercado o “lixo” mais próximo era esse. O que contribui para o problema certamente.
Concordo com vc, um bom design não vai salvar o mundo, nem mudar comportamento de ninguém mas podemos evitar problemas – pelo menos daquelas pessoas que estariam dispostas a jogar lixo no lugar certo.
Mas tem uma outra hipótese, também:
- As pessoas lembram de levar suas pilhas velhas para o Super Nosso? Como poderia ajudar as pessoas a se lembrarem ou se importarem com essa idéia?
Uma idéia que me veio a cabeça seria, na hora, de pagar no caixa, a atendente entregar uma “sacolinha” ou algo similar. Funcionaria como um “lembrete” para você levar para casa e se lembrar depois.
Humberto Massa // Julho 10, 2009 às 6:34 pm |
Karine, talvez isso seja o mais difícil:
“- As pessoas lembram de levar suas pilhas velhas para o Super Nosso? Como poderia ajudar as pessoas a se lembrarem ou se importarem com essa idéia?”
Aqui na ALMG a gente tem um papapilhas também, mas eu tenho uma caixa de pilhas velhas em casa (pq eu não jogo no lixo) e nunca lembro de trazer… e olha que eu venho trabalhar muito mais do que eu vou ao supermercado!
Rodrigo // Julho 10, 2009 às 2:59 pm |
Idéias para o protótipo: Buracos do tamanho das pilhas. Ao invés daquelas “folhas” verdes, poderiam haver um desenho ou um ícone para remeter a uma pilha ou energia.
A ideia da sacolinha é boa para estimular e lembrar as pessoas. Até porque, ao guardar pilhas, elas podem estar estragadas, vazando, etc. Mas não sacola de plástico, né? rsrs
E informar o que o supermercado vai fazer com as pilhas, depois, também é legal.
Jonas Felipe // Julho 10, 2009 às 5:19 pm |
Todo mundo ganha com essas iniciativas:
O governo:
Porque fica isento de uma responsabilidade que é dele;
O comércio:
Porque se faz em cima de um tema que está na moda
E o usuário?
Passa a ter mais um problema, em sua vida que já está abarrotada deles. Agora tem que pensar em uma coisa que nunca antes teve que pensar, categorização, separação e transporte do lixo.
Pô, “don’t make me think”, quero fazer minhas necessidades na esperança que a água do esgoto não seja jogada nos rios, quero jogar meu lixo num lixo convencional na esperança que ele seja reciclado, quero tudo, menos a privatização das obrigações do governo.
PS: Adorei a solução para o lixo, realmente ficou bem melhor.
Rodrigo // Julho 10, 2009 às 6:18 pm |
E não é bom pensar em coisas que nunca foram pensadas antes? Make me think, também.
Jonas Felipe // Julho 10, 2009 às 6:24 pm |
Depende do contexto Rodrigo.
(=
Rodrigo // Julho 10, 2009 às 6:29 pm |
É vero! rs
Diego Gomes // Julho 12, 2009 às 7:14 pm |
3 motivos:
- ninguém leva pilhas velhas ao supermercado.
- cada vez mais as pessoas usam pilhas recarregaveis ou produtos que nao precisam de pilhas e carregam direto na USB
- A grande maioria das pessoas desconhece a importancia do descarte correto de pilhas e baterias.
Rafael Caceres // Julho 22, 2009 às 8:02 pm |
Se o recipiente tivesse formato de pilha com a boca aberta e buraco do tamanho da pilhas, talvez faça as crianças terem vontade de alimentar o papa pilhas.
Mas a vontade de separar lixo é uma questão de educação ambiental. E não tem como ensinar isso tão rapidamente.
Mudando de assunto, vi seu comentário nesse post, e queria saber se tu já conseguiu alguma resposta para suas perguntas.
karinedrumond // Julho 22, 2009 às 9:26 pm |
Ei Rafael, ainda não tive respostas e você acabou me lembrando disso e fiz um post em busca de mais pensamento sobre isso. Veja http://karinedrumond.wordpress.com/2009/07/22/uxagile-em-busca-da-integracao-perfeita/
Jorge Sá // Julho 28, 2009 às 11:45 pm |
Putz, acho que em uma dúzia de comentário rapidinho foi solucionou o problema. Minha sintese sobre o que foi dito:
1- Caixa em formato cilindrico, mas fino e mais alto, como uma pilha. Logo logo ira dar a sensacao de estar estar se enchendo rapido e, por ser fino, nao caberia lixo comum.
2- Aviso na altura dos olhos (de tão obvio, nao deveria nem precisar ser dito)
3- Também concordo que o desenho de folhas não tem nada a ver.
4- E, o mais importante, quem leva pilha velho pro supermercado? Mas tudo bem, vamos supor que o papa-pilhas serve pelo menos pra fazer uma capa de que o supermercado é policamente correto.
5- Caso o supermercado esteja realmente interessado em salvar o planeta, uma boa solucao seria apelar para as criancas, como alguem disse: sempre que se jogasse uma pilha, uma resposta sensorial seria retornada, um feedback. Ou seja, uma espécie de “prêmio” para quem jogasse a pilha ali.
Mas o MELHOR de tudo seria desistirem desse projeto e distribuirem o custo disso tudo em descontos nos produtos para nós consumidores.
karinedrumond // Julho 29, 2009 às 2:15 pm |
A idéia de apelar as crianças e do modo “prêmio” é realmente boa…
juliana.vitoria // Agosto 31, 2009 às 11:56 am |
otimo.
juliana.vitoria // Agosto 31, 2009 às 11:59 am |
o projeto e muito bom. otimo da minha parte.