Pensando sobre produtividade no trabalho, cheguei a seguinte questão: Será que nos tornamos, mesmo, de fato, mais produtivos enquanto nossos browsers, softwares, websites, celulares, redes sociais, etc nos oferem múltiplas opções, múltiplas funcionalidades, interfaces múltifacetadas, flexibilidade de navagação, vários caminhos para se chegar a um mesmo lugar, suportando as nossas “supostas” multi-pli-cadas-tarefas?
Ou, será, que estaríamos nos tornando ainda mais confusos, ainda mais ansiosos, ainda mais viciados e acabando o fim do dia com a sensação de que estamos ainda mais esgotados e da familiar impressão de “nossa não terminei nem metade do que tinha para fazer”?
Algo tem me levado a questionar a primeira opção e observar mais atentamente a segunda.
Como eu sei que esta é um questão um pouco mais profunda e complicada de responder, deixo aqui apenas algumas reflexões que, generalizadas, dizem respeito somente ao meu comportamento que venho observando.
Isso, de produtividade e ferramentas, não é uma questão nova para mim, há algum tempo temos tentado métodos de organização pessoal, como o GTD, e outros e sempre que acontece, de termos, eventualmente, algum problema com produtividade ou falta de organização, temos uma certa tendência de culpar as ferramentas (talvez por sermos designers e programadores e lidar com o projeto de ferramentas tecnológicas no nosso dia-a-dia, esperamos delas, eficiência, facilidade, etc) e por outro lado, não questionamos quanto ao nosso comportamento, aí me vem a dúvida: O quanto as ferramentas são culpadas por não apoiar nossas atividades? E quanto, de outro lado, nós é que não temos nos esforçados para mudarmos nosso modelo mental de como as coisas funcionam e adequarmos também o nosso comportamente de forma a realizarmos as tarefas de uma maneira melhor?
É facíl perceber após parar para pensar, que um equilíbrio é necessário entre estas duas forças, a força da ferramenta sobre nosso comportamento, contra a força do nosso comportamento sobre as ferramentas.
Voltando para alguns exemplos práticos sobre produtividade e as ferramentas do dia-a-dia. Pare e pense, quantas vezes você já se viu no meio de uma aba, no seu navegador, que você não se lembrava do que exatamente estava fazendo? Ou quantas vezes abriu abas que não lembrava exatamente qual a próxima ação, porque, diabos, elas estavam abertas?
Ou ainda, parou no meio do fluxo de uma atividade para conferir sua caixa de e-mail, viu que tinha um e-mail interessante/importante e parou para responder, ou seja, começou numa tarefa e terminou em outras, mais confuso que nunca.
Quantas vezes lendo um site, ficou confuso sobre qual link clicar, já que existiam tantas opções que pareciam levar para o mesmo lugar? Será que eu digito nessa caixa de busca? Mas parece ter aqui do lado uma tag parecida com o que eu procuro, será que clico aqui? Há ainda este menu que pode me levar onde quero… e esse “saiba mais” humm…. Ou mesmo, mais simples, ainda, já leu um artigo na web, que continha tantos hiperlinks no texto que para ler todas as referências e diversas páginas referenciadas gastaria muito mais tempo que para ler todo o texto?
Bom, acho que já deu para perceber onde quero chegar. Acredito que seja papel nosso, os que trabalham com tecnologia, de alguma forma, encontrar meios de equilibrar e conciliar estas questões: O que significa, mesmo, suportar multitarefa? Será que significa oferecer o máximo de opções para o usuário? Será que dessa forma estamos mesmo contribuindo para a produtividade, engajamento, satisfação ou estamos contribuindo para o cansaço, o stress, fadiga e esta insistente ansiedade dos nossos dias, que não parece acabar nunca?
E lembrar do trabalho equilibrado entre as forças; que não apenas as ferramentas moldam a forma como nós enxergamos o mundo, nós também podemos moldar nossos comportamentos para melhor utilizar nossas ferramentas.
Se ficar curioso para ler mais sobre o “lado negro” da tecnologia da informação e suas implicações para os usuários, leia também este post: http://ow.ly/15G5xE que deu origem a este meu.
E aqui também tem outros pensamentos sobre o assunto, mais diretamente relacionado a abas e navagação hipertextual, do ponto de vista do usuário: http://www.faberludens.com.br/pt-br/node/1625

Karine, a recíproca é verdadeira!
Boa ponderação!
Abs,
Guilherme Marques
Oi Karine,
Concordo com você. A quantidade de informação facilmente acessível atualmente limita a atenção. A toda hora parece que tem uma janela do gtalk, um e-mail, um rss novo, um twitt, um scrap, algo que se torna figura, algo que chama a atenção, interrompendo o que estávamos fazendo antes.
A nossa atenção concentrada já é bastante limitada. Somando isso com o número impressionante de ferramentas distratoras, daqui a pouco todo mundo vai ter transtorno de deficit de atenção =)
Acho que algo que acontece muito é que todo designer acha que sua ferramenta deve chamar a atenção do usuário através de algum estímulo que se torne figura repentinamente, desconsiderando qualquer contexto de uso. Em certo sentido, é uma insensibilidade nossa (falta de educação dos softwares?), que não faríamos ao vivo. Se eu vejo uma pessoa concentrada no trabalho, tento não interromper ela. Mas se estou projetando alguma ferramenta pra essa mesma pessoa, tento chamar a atenção dela para algo que eu acho que ela acha importante…
Talvez devessemos levar mais em consideração o contexto em que o usuário se encontra (ex: no msn posso mudar meu status como um sinal para as outras pessoas não me interromperem ou – de forma mais avançada – posso escolher a opção de não exibir alertas quando estou em algum outro programa em full screen). A sensibilidade ao contexto talvez seja uma solução.
[]s!
Oi Luciano, bacana seu comentário.
“Talvez devessemos levar mais em consideração o contexto em que o usuário se encontra”
Exatamente, é até um questão de responsabilidade,….”bons modos” rs…
Parte da “culpa” dessa avalanche seria a pressão por inovação, e também como você disse, por “chamar atenção” a qualquer custo, etc.. mas poucos de nós, paramos para entender realmente o que significa “inovar” e muito menos entender do contexto da ferramenta que estamos criando… Para muitos ainda, soa como “perda de tempo” para piorar as coisas…
Acho que a outra parte do problema é que designer e desenvolvedores criam ferramentas com foco restrito ao mundinho do problema (focam somente na solução e na tecnologia), sem levar em conta a relação daquela ferramenta com as outras também usadas pelos mesmos usuários e as consequências e implicações disso, em que aquela ferramente x impacta no comportamente e uso do usuário em seu contexto real. Ex,: Se uma equipe projeta uma ferramanta de e-mail ela não se preocupa tanto em saber em que contexto as pessoas usam e-mail para que e porque elas precisam disso, e quais outras ferramentas e tarefas estão relacionadas a atividades de ler e-mail. E o contexto social? elas usariam no trabalho ou em casa? Em grupos ou individualmente? Tudo isso afeta em muito o design, afeta toda a visão do produto. E ainda mais, entendendo e preocupando-se com isso, pode-se chegar em idéias verdadeiramente inovadoras, vide empresas como IDEO e outras…
Para mim a questão do contexto é de fato o calcanhar de aquiles de todo mundo preocupado em desenvolver boas experiências, sejam digitais ou não…
É por isso que minha proposta pro Mozilla challenge era o “Diet Browser”: sem abas, sem janelas, sem favoritos, sem ferramentas sociais, sem nada. Só um navegador maximizado, que abre apenas uma página por vez.
Não preciso nem dizer que ninguém gostou da idéia
É por isso que esse discurso de simplicidade é só discurso… as pessoas querem tudo!
Escrevi um post certa vez sobre essa insustentável leveza da simplicidade:
http://usabilidoido.com.br/a_insustentavel_leveza_da_simplicidade.html
Vi uma ligação com a teoria do flow e de como chegar a “experiência perfeita”.
As pessoas sentem-se mesmo atraídas pela dificuldade e complexidade. A idéia é justamente provocar.
Em relação ao trabalho, também tenho essa dificuldade de não conseguir concentração e foco.
Talvez estejamos caindo em nossa própria armadilha!
Você sintetizou bem: caimos na nossa própria armadilha… é um ciclo mesmo: queremos mais porque nos oferem tudo, então vamos oferecer tudo porque queremos mais… rs
Lembrei deste outro texto: http://www.faberludens.com.br/pt-br/node/555 , sobre “limitar como modo de propor novas experiências”. É pensar que design pode impor limitações para direcionar formas de interação… então, em instituições que são ambientes controlados e pedem produtividade, impedir que o usuário, por exemplo, fique com MSN e Gtalk abertos ao mesmo tempo ou não permitir mais que 2 programas abertos simultaneamente pode ser uma saída para manter o foco nas tarefas.
Impedir o acesso a orkut, MSN e Youtube (e blogs) já um clássico em universidades e colégios, onde se impõe um limite para que a aumentar rotatividade dos estudantes nos computadores e diminuir o tráfego de dados. Mas essa questão, na minha opinião, pede uma análise mais social. Em uma aula de “informática”, no ensino médio, como o estudante (que não tem acesso a internet em casa) irá se concentrar no professor quando finalmente tem acesso a esse universo de informações/ferramentas sociais, em sua frente?
Fred, Eu aposto que existe público que poderia ser fidelissimo ao Diet Browser
Mas sobre exigir uma análise mais social, concordo bastante. Já observaram como esse comportamente que temos no browser se reflete em outros contexto do dia-a-dia? As vezes me vejo fazendo tarefas no mundo “não digital” como se fossem, como se continuassemos “abrindo abas enquanto a outra carrega”… Por ex.: enquanto o pão esquenta na misteira, eu não sento e espero pacientemente, eu ligo a Tv, ou começo a fazer outra coisa enquanto isso…. e se isso se multiplica em outras tarefas, consequentemente eu perco o fluxo do que estava fazendo e assim por diante….
Rodrigo citou um ponto importante para a história: a concentração…
Também sinto muito isso, Karine. Tarefas que exigem paciência e tempo são encaradas como tediosas. Movimentos ‘alternativos’ como o “slow food” e “nadismo” refletem esta realidade.
Um livro de Introdução à Filosofia fazia a perguntava: Será que baixa concentração das crianças de hoje não passa de 6, 7 minutos, assim como a duração de bloco de programa televiso que entra nos comerciais?
[Re: Fred] O diet browser, além de mostrar só uma página maxizada por vez, poderia travar o acesso a outros aplicativos do computador, propiciando uma navegação lenta, um olhar mais demorado, uma atenção aos detalhes da página, a concentração em uma única tarefa, foco… basicamente poderia-se colocar uma moldura em volta da página que estiver aberta, hehehe. Não seria mais navegar, seria apreciar uma página.
o Diet browser poderia ser um “modo concentrado”: aperto o botão “concentração total” e pronto posso estudar ou realizar minha tarefa sem ruídos…
é o “Do not disturb” digital…
Legal!
Um ponto importante é que a gente já fazia mil coisas ao mesmo tempo antes de usar o computador. Lembro de um anúncio de revista do Windows 95 enfatizando que ele era “multitarefa como você”.
Isso significa que a mudança não está na tecnologia e sim na sociedade. Portanto, se queremos mudar, temos que apoiar movimentos sociais como o slowfood e o nadismo.
Ainda nessa linha do postura “anti excesso” já viram esta empresa: http://www.livead.com.br/
É um posicionamente, se funciona ou não eu já não sei dizer…
Não lembro quem comentou isso em uma aula na FbLd, mas era: Porque deixar o MSN (ou o celular) ligado se estamos realmente ocupados ou ausentes? Qual a dificuldade, o que nos prende ao programa que ele tem que estar aberto, mesmo quando não queremos?
Algumas hipóteses e situações:
Nível consciente:
- estar apto para conversar ou me mostrar disponível a qualquer momento, caso alguém tenha algo a dizer
- receber orientações de clientes, quando a pessoa lida direto com MSN (uso profissional)
Nível insconsciente:
- alimentar a sensação de “estar próximo” aos amigos mesmo que a distância
- não se sentir isolado (diminuir sensação de solidão)
- fugir das tarefas massantes profissionais (“dar uma escapada”)
- busca por prazer (conversar com amigos é mais prazeroso que realizar tarefas repetitivas)
- medo de perder contato com amigos
Isso me lembra outra questão relacionada:
Por que é tão difícil abandonar o orkut mesmo que não exista mais propósito lógico da sua existência (quando não se recebe mais scraps interessantes, ou não se faz mais uso útil)? E porque muita gente, que consegue, volta depois?
Uma coisa é certa, são aspectos muito mais emocionais que racionais…
desculpe ser superficial, mas fiquei curioso quanto aos icones no seu mac.. não consigo saber o que é o tronco queimando nem
os quatros ultimos (antes da pasta de documentos).
sabe como é, a gente está sempre em busca de aplicativos mais produtivos.
ei Carlos!
O ícone do tronco queimado é o Pyro: aplicativo para entrar no chat do campfire, do pessoal da 37signals, é um chat próprio para grupos, ele grava as conversas, entåo se um membro não participou da cversa ele pode ver tudo e ficar por dentro além disso podemos compartilhar arquivos etc.. é bem legal.
Os 4 últimos: o monitor branco é o Parallels Destop que roda o Windows dentro do Mac.
Os outros 3 são so programas do Mac: Keynote (para fazer apresentações) Pages (para criar documentos) e Numbers (Excel)
Achei legal sua curiosidade!
Abs
Gostei bastante do texto. Concordo contigo.
Alias, estou passando aqui pra dizer que aproveitei um comentário seu no meu ultimo texto. Coloquei a devida referencia (tem um link para seu post). Espero que não tenha nenhum problema.
Abraço.
Ei Kleber,
Gostei bastante do seu texto também…
lollll