O Leonardo Kenji me fez algumas perguntas sobre o meu post de UX Agile Design e as perguntas são tão importante e a resposta ficou tão grande que mereceu um post próprio
Pergunta do Leonardo:
Fiquei curioso para saber como vcs adaptaram os princípios agile ao processo de refinamento do qual vc fala.
quais características vcs aproveitaram dos princípios? como vcs estimulam o processo de comunicação entre os envolvidos? vcs usam alguns artefatos ou técnicas sugeridas das metodologias agile? como funciona o processo seus de post-mortem?
E o mais importante, vcs conseguem mensurar o ganho de qualidade, produtividade e satisfação do cliente antes e depois do uso do “Agile UX design”?
Resposta:
Você fez várias perguntas importantes, não sou exatamente da área de desenvolvimento, mas, penso que o pensamento pode se encaixar perfeitamente.
Basicamente, o que vejo é que a prática de design e da pesquisa em design (envolvendo usuários) pode se tornar burocrática e inflada da mesma forma que a prática de desenvolvimento de software, se tornando extensa e até mesmo desvantajosa. Neste sentido, temos estudado formas e metodologias de trabalho que se apliquem à nossa realidade e contexto. A filosofia do agile e os principais conceitos como o processo de iterar cedo, concentrar na essência, evitar documentação desnecessária, observar o uso real ao invés de seguir um plano rígido etc. tem se encaixado com a prática de design centrado no usuário que temos experimentado.
Este fluxo que eu desenhei exprime um processo, um ciclo de vida de um projeto de criação de sistemas interativos centrado no usuário. Mas, a forma de executá-lo pode variar. O que temos experimentado é seguir os princípios de agile aplicado no processo de pesquisa e design.
Vou te dar um exemplo em pesquisa para ver se fica mais claro: uma seção de teste de usabilidade com usuário gera insights que podem ser incluídos na próxima seção de teste já pode incluir as alterações. Tentamos, também, aproveitar o encontro com o usuário para responder as principais questões do projeto, ao invés de várias seções e muitos relatórios.
Outra questão é iterar o mais cedo, prototipar em papel e validar, seja conversando com um amigo que se encaixe no perfil do usuário. A comunicação é o mais importante. O objetivo é sempre o de alinhar o pensamento. Para isso tentamos fazer um trabalho em equipe mais alinhado, definir em conjunto o cronograma, as técnicas que vamos usar. Para geração de idéias, tentamos fazer seções de brainstorm em conjunto com cardsorting interno, o que agiliza o processo de discussão e alinhamento de idéias. Toda solução rascunhada é iterada. O processo fica mais leve e nosso pensamento mais alinhado durante o projeto, como consequência, a produtividade aumenta. É basicamente isso.
A gente pegou emprestado o termo que veio da área de TI e adaptamos à nossa metodologia. Mas, isso não veio exclusivamente da gente. O que a gente tem estudado é como adaptar nosso processo de UX ao processo de desenvolvimento de softwares, por isso temos experimentado empregar os princípios e temos aprendido boas lições.
Esse artigo (http://www.agileproductdesign.com/blog/emerging_best_agile_ux_practice.html)
me inspirou bastante a escrever este post:
Quanto à questão de mensuração, o que posso dizer é que, internamente, os princípios têm se encaixado com a nossa realidade e, dessa forma, conseguimos aplicar pesquisa em design e usabilidade ao contexto do cliente, do projeto, ficamos mais produtivos e o processo ficou mais otimizado.
O que acreditamos é que o processo de design de sistemas centrados no usuário tende, consideravelmente, ao sucesso, pois leva em consideração as necessidades reais dos usuários. O retorno do investimento está ligado a isso tudo.
Quanto ao pós lançamento, “pregamos” que o processo de design centrado no usuáio é iterativo, ou seja, deve estar em evolução. Mesmo após o lançamento, é preciso prever reavaliações, observar o uso real que os usuários dão ao sistema e, a partir daí, aprimorá-lo.
Mas, com certeza, é sempre desafiante encontrar o ponto de equilíbrio entre os métodos ágeis e os tradicionais, na minha opinião.
7 respostas Até agora ↓
leonardo kenji // Setembro 15, 2008 às 3:30 pm |
oi Fernanda
gostei muito do post. acho que respondeu muito bem minhas dúvidas
tenho um post que eu acho que pode acrescentar à discussão tb
http://blog.vettalabs.com/2008/04/18/metodologias-ageis-e-editoras/
obrigado!
leonardo kenji // Setembro 15, 2008 às 3:31 pm |
desculpe
enfiei na cabeça a palavra “Fernanda”
é Karine
Carla Martins // Setembro 17, 2008 às 5:26 pm |
Olá! Achei seu post super legal! Linkei seu site no meu, pode?
Bjs,
Carla
karinedrumond // Setembro 17, 2008 às 7:39 pm |
Claro Carla fique a vontade
Obrigada!
Nara Castro // Setembro 22, 2008 às 1:28 am |
Olá Karine,
Estou elaborando um pré-projeto para a seleção do mestrado em design na UFPE – Recife. O meu projeto terá como principal tema a etnografia aplicada ao design. Gostaria de saber como você ver a aplicação da etnografia no design de interação?
Adorei o seu blog.
Abraço
Tecnologia. Inteligente. » Blog Archive » Agile e UX (user experience) // Setembro 22, 2008 às 12:45 pm |
[...] de TI. Neste post anterior, falei rapidamente da agilidade para editoras, e agora temos um caso aplicado para Usabilidade. (…)Outra questão é iterar o mais cedo, prototipar em papel e validar, seja conversando com [...]
karinedrumond // Setembro 22, 2008 às 12:56 pm |
A Etnografia é um processo que particularmente gosto muito e aplico sempre que posso. Quando você começa a praticá-la você acaba desenvolvendo um “olhar etnográfico” naturalmente
. Começa a observar o mundo de outra forma.
A etnografia no processo de design de interação, acredito que traga os mesmos benefícios que quando aplicada a qualquer processo de design, seja ele gráfico, de produto, de moda, interação, etc…
Observar o que as pessoas fazem, como elas fazem, porque elas fazem desse ou daquele jeito e o que elas estão tentando alcançar na atividade, proporciona um entendimento sobre o problema sob o ponto de vista das pessoas.
Quando você começa a observar essas coisas, você começa entender onde está o gargalo daquela tarefa, ou atividade e começa a identificar possíveis soluções.
Tem algumas questões dentro do design de interação que você não consegue entender em um laboratório, por mais que ele reproduza a “realidade”. É aí que entra a importância de se observar as pessoas realizando a tarefa em seu dia a dia, em seu ambiente.
Profissionalmente já aplicamos no início do projeto para entender alguma atividade, fluxo de trabalho.
E no meu projeto de monografia apliquei etnografia para coleta de requisitos, fui a um hospital e fiquei observando as crianças: a rotina, os artefatos que elas usavam, como interagiam entre si, o humor, a relação delas com a equipe do hospital e com os pais, etc. Coisas que jamais conseguiria “captar” de outra forma
Acho que uma coisa importante quando realizando etnografia é ter em mente o que você está buscando, pois o processo pode te gerar mais perguntas que respostas, é preciso ter um “guia” um plano, um foco, para não se perder…
Eu tenho alguns artigos sobre etnografia aplicada ao design se quiser, eu te mando por e-mail…