Alguns trechos do livro “Researching the children`s Experience” sobre aspectos particulares sobre pesquisa com crianças. Muito bom o livro tem diversos exemplos práticos de pesquisas.
Quando se fala em experiência, é importante enfatizar as limitações que o termo sugere. A natureza de qualquer experiência (seja ela da criança ou de um adulto) será sempre, em partes, inacessível ao sujeito externo, o que deve ser a premissa principal para qualquer pesquisador. O que é passível de ser feito, é acessar a interpretação do mundo pela criança pelas ações e reações. Um dos desafios principais deste tipo de pesquisa é o como diagnosticar estas interpretações. Pesquisadores da experiência devem, portanto estar conscientes dos limites e especificidades que este tipo de pesquisa implica:
Entre essas limitações, destaco as seguintes (algumas parecem óbvias, mas vale reforçar):
• Nem sempre as pessoas (crianças e adultos) tem acesso completo aos seus sentimentos e motivações o tempo todo, boa parte é esquecida pela consciência;
• As pessoas normalmente respondem às pesquisas de forma tendênciosa, por exemplo, expressando opiniões que refletem o modo como gostariam de ser vista (aceitas socialmente), e não o que são e pensam realmente;
• Diferenças podem ser claramente encontradas na forma como os pais interpretam as experiências dos filhos e como os próprios filhos as interpretam;
• Não existe nenhuma técnica 100% eficiente que nos diga como as crianças realmente experienciam, somente temos acesso ao entendimento da experiência das crianças pelo modo como elas a processam, mentalmente, fisicamente e comportalmente;
• É preciso levar em consideração que, nós, como adultos, acrescentamos uma camada extra a interpretação da experência que está sendo estudada, é a camada da nossa própria interpretação dos sentimentos e atitudes, construídos principalmente pelas nossas próprias experiências de infância;
• O entendimento da experiência será sempre parcial e imperfeito;
• Crianças muito novas, não são capazes de compreender questões complexas e abstratas, é preciso portanto adaptar às perguntas de acordo com a faixa etária;
• Crianças podem dar respostas determinadas mais a agradar ao interlocutor ao invés de dizer a verdade;
• Quando as crianças não entendem a questão, elas podem tender a responder “não”
• É aconselhável evitar perguntas metafóricas;
• Pesquisadores devem estar cientes da relação de poder criança x adulto. É aconselhável que o pesquisador compartilhe deste poder com a criança, como por exemplo, deixando-a livre para escolher a hora e o lugar da entrevista;
• É importante que as crianças se vejam como parte da pesquisa e não objeto de estudo; é importante incluí-las no processo.
3 respostas Até agora ↓
Julio Luiz // Junho 13, 2008 às 7:51 pm |
Muito bom o mini-artigo.
Seria interessante você desiponibilizar versão p/ impressão do que você escreve ou disponibilizar PDF, sempre é bom ter em algum lugar coisas como esta, para ajudar em estudos.
[]’s
Levi // Junho 14, 2008 às 5:41 pm |
Karine,
Você conhece esse artigo?
Requirements gathering in designing technology for children
http://portal.acm.org/citation.cfm?id=1297328
“The aim of this PhD study is to critically investigate and develop methods for designing technologies for children, by focussing on the requirements elicitation phase.”
Se você ainda não tem e não conseguir baixar o PDF, me diz que eu mando pra você.
karinedrumond // Junho 16, 2008 às 12:26 pm |
Este eu não tinha visto não… e é pequeno, que ótimo, vou ver este…. consegui baixar
Valeu!