“…Quanto a aparência, não se difere muito da maioria dos hospitais brasileiros, as paredes possuem cores claras, verde claro e branco. O odor é “característico de hospitais” devido ao uso de produtos de assepsia e há bastante movimentação, barulhos e ruídos, o que é possível perceber no vídeo produzido. O local é bem iluminado…As criançås passam a maior parte do tempo dormindo…”
(…)
“As máquinas da hemodiálise (o diálisador) são novas. Do ponto de vista do “visitante”, o aspecto não é muito agradável, principalmente para quem não está acostumado ao ambiente do hospital, porque o sangue que está sendo “filtrado” passa por tubinhos transparentes que transpassam externamente pela máquina e fica “a vista” das pessoas.
No entanto, um fato curioso e inusitado é que um dos pacientes (uma senhora de aproximadamente 60 anos) comentou durante a visita: “eu gosto destas máquinas” “eu prefiro esta (a máquina mais antiga) do que a outra ( a nova)” Quando perguntei porquê, elas respondeu: “Já estou acostumada, eu gosto dela”. Percebo a distância que existe entre o que vejo e sinto da percepção deles. O paciente desenvolve uma “certa” relação emocional com aquele objeto (a máquina) e afetiva, uma vez que ela (a máquina) é quase que uma “extensão” do próprio corpo e está fazendo o papel do rim “doente” do paciente. Não só com a máquina, com todo o ambiente.”
(Trecho de um relatório de pesquisa em campo feita um hospital de Belo Horizonte)
Como lidar com as questões emocionais em projetos de design.

3 respostas Até agora ↓
Bruna // Junho 13, 2008 às 3:00 pm |
Sim, o paciente desenvolve uma “certa” relação emocional com a máquina suposta “extensão” do próprio corpo. Mas tenho uma dúvida, esses pacientes são de uma atinga geração, os que ainda não sabem lidar com as mudanças , ou seja os tradicionais talvez, como sera q as gerações a partir da “nossa” deve lidar com as novas maquinas? q irão mudar o tempo todo., tanto que vc diz:
“Percebo a distância que existe entre o que vejo e sinto da percepção deles.”
karinedrumond // Junho 13, 2008 às 5:59 pm |
Sim essa relação com os objetos muda conforme fatores sociais, culturais, educação, etc.
por falar em novas gerações, outro dia li que o fato das crianças se relacionarem melhor com a tecnologia, tem menos a ver com “expertisse”, experiência e acesso etc.. mas mais a ver com a relação “não dramática” com as novas tecnologias. Evidenciado pela forma como lidam com as falhas e problemas tecnologicos. Segunda a pesquisa, os adultos lidam com uma forma “mais dramática” e alguns desenvolvem certos bloqueios com essas tecnologias. Resumindo, diz que “Crianças não tem medo de experimentar até aprender”.
artigo completo em: http://www.experientia.com/blog/french-ethnographic-study-on-teens-and-mobiles/
Filipe Levi // Junho 14, 2008 às 5:22 pm |
O comentário de Bruna me fez lembrar da entrevista abaixo (Silvio Meira e Juca Kfouri). Eles discutem a tecnologia como extensão do corpo do atleta e como isso será popularizado num futuro não tão distante.
http://www.youtube.com/results?search_query=kfouri+meira&search_type=&aq=f