Qual a melhor forma de entender as necessidades dos usuários? Perguntando? Observando? Existe uma técnica melhor que outra?
Eu tenho dito que normalmente a resposta depende da pergunta que você quer responder, mas tenho observado e concluído que para antecipar uma visão, criar produtos novos, você precisa ir muito além de perguntar, observação é uma das mais conhecidas e aceitas técnicas para detectar oportunidades de inovação. E por quê? Muito provavelmente, pelo fato de que perguntando, as pessoas não respondem o que querem, elas respondem o que elas pensam que você quer que elas respondam. O que muda tudo.
E tem, ainda, outro fator importante: As pessoas conseguem detectar o problema e não a solução. Se elas dizem “eu odeio este verde desta página, ou adoro pink”, não quer dizer que você deve “ouvir os usuário – e- seguir -a – risca – o que dizem” mas sim entender o que está por tras disto. Neste caso por exemplo, o que eles querem dizer é que prestam atenção as cores, que isto é importante para eles. Cabe ao designer ou pesquisador interpretar as necessidades reais e questões que estão por tras das respostas dadas. Já a solução cabe ao designer.
Observando é possível detectar padrões de comportamentos, detectar como o ambiente é modificado pela ação e tarefa que as pessoas desempenham e ainda inspirar idéias.
Como faz o Filipe Levi em seu blog. Capturando imagens do dia a dia das pessoas. Observação levanta dados qualitativos que podem ser valiosos tanto para projetos de futuro quanto para avaliar o presente.
Há algum tempo venho pensando e tentando formular uma opinião coerente quanto a isto. E pesquisando encontrei alguns pensamentos interessantes que posto a seguir. (a maioria vem da lista de discussão do IxDa)
Nós não perguntamos aos consumidores/usuários o que eles querem. Eles não sabem. Ao contrário nós aplicamos o poder do nosso cerebro para interpretar o que eles necessitam, o que vão querer no futuro e certificamos que estaremos lá, prontos.
Akio Morita, founder of Sony
Parece lógico perguntar aos usuários o que eles querem e dar o que querem a eles. Mas raramente, eles sabem o que eles querem realmente.
Steve Jobs
O maior mau entendido quando se trata de pesquisa em design é perguntar aos usuários o que e como o design deve ser. A melhor pesquisa em design é descobrir dados sobre três coisas:
1. Necessidades desconhecidas. Normalmente não ditas ou descobertas. As pessoas pediriaam por um cavalo rápido, mas o que isso significa? qual a necessidade real, por tras disso? O automóvel foi a solução para a necessidade.
2. Pontos críticos. O que existe atualmente que é difícil?
3. Oportunidades. Onde estão lugares para produto ou serviço que poderiam juntar-se a essas necessidades desconhecidas ou solucionar os pontos críticos?
É nosso trabalho desenhar as soluções. É para isto que somos pagos para fazer
Agora, obviamente, se a pesquisa apresenta um excelente solução, todos saem ganhando!
Dan Saffer
I think there’s a big danger of focusing too
much on what people think they want or need – sometimes, only when they experience
a new technology can they articulate its value to them and help shape its development.
Kevin Warwick (professor of cybernetics at Reading University, UK)
Agora, obviamente, se a pesquisa apresenta um excelente solução, todos saem ganhando!
5 respostas Até agora ↓
Fernando Paes // Maio 7, 2008 às 9:56 pm |
concordo em genero, numero e degrau…
perguntar nao resolve… observar apenas também nao… o conjunto de informações que você conseguir coletar/interpretar é que vai lhe dar as respostas certas para as perguntas corretas…. (vice-versa também)
Gonçalo // Maio 8, 2008 às 12:30 am |
Me fez lembrar da máxima de Henry Ford:
“If I had asked my customers what they wanted, they would have asked for a faster horse.”
Rafael Rez Oliveira // Maio 8, 2008 às 1:55 pm |
No Marketing, que é uma disciplina que também lida com pessoas – mas as denomina de “clientes” ao invés de “usuários” – há algum tempo vem se adotando a metodologia da observação em substituição [ou acréscimo] aos Focus Groups, aquelas reuniões em que um mediador tenta descobrir necessidades e desejos das pessoas.
O fato das pessoas tentarem descobrir o que você quer saber ao invés de ser espontâneas nas respostas é um fator psicológico pesado, que acaba deturpando os resultados.
E não acho que as pessoas [sempre] saibam o que querem, ou o que precisam.
A citação do Henry Ford resume tudo!
Excelente reflexão!
lbalves // Maio 8, 2008 às 3:10 pm |
Acho que o importante é saber cruzar os dados. É o mesmo princípio da estatística. Os dados por si só, não dizem nada. Você tem que interpretá-los dentro de um contexto.
UxP – User Experience Project | Estudos e casos de design de interação e experiência do usuário » Blog Archive » Ford inova mais uma vez // Maio 8, 2008 às 6:30 pm |
[...] discussão rendeu frutos em listas como Ux Recife, Desinterac e outras. E a Karine tem um post bem bacana no blog [...]